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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

QUASE PERFEITOS



Quase Perfeitos...
A Rogue For Christmas
Kate Huntington
Julia Histórico n° 1535
 Quase Perfeitos

Londres, 1812

Um convidado indesejável... Uma dama inocente...

O nome de Lionel St. James, definitivamente, não consta da lista de convidados para a festa na casa dos Blakely.
Apesar disso, ele vai até lá com um único propósito em mente: ver — mesmo que de longe — a srta. Mary Ann Whittaker.
Anos atrás, numa escura noite de inverno, a visão daquele rosto adorável aqueceu seu coração, e inspirou nele uma generosidade que ele não imaginava possuir...
Lionel se surpreende ao constatar que os anos não diminuíram a beleza de Mary Ann, e que ela continua doce e inocente como naquela noite, tanto tempo atrás.
Mas à medida que trocam um olhar, o coração de Lionel se enche de pesar.
Pois a passagem do tempo não foi nada gentil com sua própria reputação, e sua alma só se tornou ainda mais marcada e sombria a cada dia.
Ele teme que, se fizer a corte a Mary Ann, acabe arruinando-a.
Porém, naquela noite, tudo que ele quer é tê-la em seus braços, e uma chance de se tornar o homem que ela merece ter, por todos os dias de sua vida...

Capítulo Um,

Londres, 23 de Dezembro, 1812
Durante toda a vida, Mary Ann Wbittaker ouviu sua mãe falar dos perigos de caminhar sozinha pelas ruas da cidade.
No crepúsculo daquela tarde de inverno, enquanto lutava contra um ladrão defendendo sua bolsa, concluiu que a mãe tinha razão.
Com apenas quatorze anos, ela não era tola, e sabia dos perigos.
Mas naquele dia acreditou que chegaria à loja em plena luz do sol, e estaria em casa antes que notassem sua falta. No entanto, subestimou o tempo que levaria para chegar ao local.
— Entregue logo essa bolsa, e eu não a machucarei — ameaçou o assaltante, obviamente surpreso com a disposição da garota em brigar pelo que era seu.
— Nunca! — ela protestou.
Se ele roubasse sua única joia antes que chegasse à loja de penhores, estaria tudo perdido.
O homem se zangou. A expressão nos olhos malévolos dizia que, enquanto no início ele apenas se divertia, aterrorizando a garota desamparada e roubando seus poucos valores, agora a machucaria.
O pânico deu forças a Mary Ann, mas o ladrão, evidentemente mais forte, logo a derrubou no chão.
Ela podia sentir o hálito malcheiroso dele empesteando seu rosto enquanto lutava para se libertar.



— Solte-me! — gritava.
Então ela fez algo que jamais fizera na vida. Abriu a boca e gritou a plenos pulmões. O homem vacilou e a esbofeteou.
— Basta, sua vadia!
Fora estupidez desperdiçar fôlego gritando, ela pensou.
Havia pessoas na rua quando o ladrão a atacou e ninguém veio socorrê-la.
Sentia as bochechas arderem como fogo, e isso deu vida nova à sua luta.
Não tinha a menor intenção de terminar a vida naquele lugar sujo, fedorento, e nas mãos de um bruto.
Contudo, o peso dele a esmagava, fazendo-o rir em descarado escárnio.
Na certa a mataria, e jogaria seu corpo em um rio imundo. Sua mãe e irmãs jamais saberiam seu fim.
Sua visão escureceu enquanto os dedos grossos do brutamontes apertavam-lhe o pescoço.
De súbito, o ar retornou a seus pulmões, e o peso do homem repentinamente foi afastado do seu corpo.
Piscando para se livrar das lágrimas, olhou para o rosto do que parecia ser um deus dourado, moldado pela luz do pôr-do-sol.
Com fria eficiência, a surpreendente aparição girou o ladrão e o golpeou duramente na mandíbula. Depois de agarrá-lo pelo colarinho do casaco, atirou-o na rua.
— Suma daqui, canalha!



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

CENAS DE UM ROMANCE

CENAS DE UM ROMANCE
Kate Huntington
Inglaterra, 1815
A verdadeira face do amor
Cassandra se sente dividida entre o alívio e a indignação quando Christopher declara que não tem intenção de se prender a um casamento sem amor, e que portanto ela está livre para aproveitar a temporada londrina. Mas como Cassandra pode se divertir, sabendo que o homem mais charmoso e atraente do mundo está se esbaldando com as mais belas mulheres da sociedade inglesa?
Christopher já foi acusado de muitos delitos, mas jamais impediria Cassandra de encontrar a felicidade, nos braços de outro homem. Por isso decide sair de Londres, sem imaginar que Cassandra o seguiria... e que seu coração se renderia aos doces encantos daquela mulher. E ao vê-la prestes a ser seduzida por um caça-dotes, Christopher só tem uma escolha: pedi-la em casamento, e torcer para que ela diga sim!

Capítulo I
Londres, Primavera de 1814
Christopher Warrender abriu um olho e sorriu, discreto, quando o contador, enviado a Dover para acompanhá-lo à propriedade de seu avô, encolheu-se no banco do coche e tapou o nariz com um lenço. O pobre infeliz parecia prestes a expelir o almoço, e Christopher não o recriminava. Sabia que seu odor fétido podia ser sentido a quilômetros de distância. Qualquer um que tivesse passado onze anos em prisões horrendas e malcheirosas se acharia no mesmo estado.
Bitche, Valenciennes, Besançon... Christopher fora um hóspede em todas elas, uma cortesia do antigo imperador da França após ter capturado todos os ingleses que desembarcaram na costa francesa em 1803. Tais viajantes, ávidos para provar os prazeres de Paris, haviam deixado a Inglaterra durante a famosa Paz de Amiens para descobrir, tão logo desembarcaram em Calais, que as negociações tinham sido desfeitas, e então passaram a ser reféns do governo francês.
Christopher, na ocasião um jovem de dezoito anos, fora à Europa com seu tutor sob as ordens do avô, pois Jasper Warrender, o visconde de Adderly, acreditava que nenhum homem podia se considerar verdadeiramente instruído antes de conhecer as maiores cidades do mundo e conviver com a sociedade continental.
Graças ao avô, Christopher sem dúvida recebera muita instrução! Agora sabia lutar, abrir fechaduras e falar um francês gutural tal qual um nativo.
Christopher poderia ter permanecido, naqueles últimos onze anos, no conforto de Verdun, a cidade onde os reféns ingleses de estirpe podiam continuar a freqüentar bailes e jantares, subsidiados por comerciantes gananciosos a um preço exorbitante, como se ainda estivessem na Inglaterra.
Mas Christopher, desprezando tais concessões a sua origem nobre, persistira em provocar uma série de encarregados, enfrentando guardas e oficiais na tentativa de fugir. Certa vez, quase conseguira chegar ao porto depois de atravessar o país vestindo farrapos e fingindo ser um fazendeiro.
Estava, aliás, planejando outra fuga quando, de repente, foi solto e se viu voltando para casa.
Para Devonshire.
De certa forma, a propriedade de seu avô era mais assustadora que a notória fortaleza de Bitche. Ao menos na prisão ele sabia o que esperar. Agora que suas forças não mais se concentravam nas tentativas de escapar, sentia-se estranhamente despojado de objetivos.
Os campos e as casas do condado pareciam os mesmos. Era como se nunca tivesse saído de lá. Christopher abriu a janela para sentir o ar campestre da Inglaterra. Para mais uma vez inspirar aquele aroma natural de liberdade que, inúmeras vezes, arriscara a própria vida.
Mas quando a viagem até Devonshire terminou, viu-se tomado por uma grande expectativa quando adentrou a residência onde nascera. Quantas almas que habitaram sua infância ainda estariam vivas?
— Sr. Christopher! — Sims, o velho mordomo do visconde, o abraçou.
Pela primeira vez em anos, sentiu lágrimas nos olhos, as quais logo reprimiu. Teria Sims encolhido? O topo da cabeça do mordomo batia no peito de Christopher.
De súbito, o serviçal recuou e olhou, envergonhado, para o chão.
— Perdoe-me, sir. Não sei o que há comigo. Christopher sorriu.
— Também estou feliz em vê-lo, Sims.—A voz de Christopher soou rouca devido à falta de uso.
— Vou avisar milorde que o senhor chegou — o mordomo anunciou, respeitoso. Em seguida, torceu o nariz. — E mandarei que lhe preparem um banho.
— Talvez eu deva me banhar antes — Christopher sugeriu. Não podia encarar o avô naquele estado. — Não deve incomodar seu patrão. Irei para meu quarto e o verei...
— Christopher, meu garoto!
Christopher reconheceria em qualquer lugar aquele brado tão sonoro.
Tarde demais, pensou, virando-se para fitar o avô, cuja rigidez o atormentara durante a infância e a adolescência inteiras devido à onerosa tarefa de tornar o neto um nobre digno tão logo começara a andar.
O sorriso do visconde se desfez ao notar os cabelos desgrenhados, a barba por fazer e as roupas rotas e sujas. Quando Jasper se aproximou, Christopher pôde ver o momento exato, por meio da expressão em seu rosto, em que ele sentiu o fedor da prisão.
— Você... mudou — o visconde disse.
— Mas o senhor não, vovô — Christopher afirmou, sincero.
— Está mais alto — lorde Adderly reparou. — E perdeu a forma rechonchuda da juventude.
— A comida no presídio causa esse efeito nas pessoas. — Christopher arqueou uma sobrancelha, sarcástico.
— Depois de cortar os cabelos e se barbear, você ficará apresentável. — O visconde acenou com a mão.
— O senhor leu meus pensamentos.
Pelo visto, o visconde aceitou a réplica. Ele apenas assentiu, quando, no passado, tal ironia teria valido um castigo para Christopher.
— Ainda bem que Cassandra se recolheu horas atrás por estar com dor de cabeça. Ela não suportaria vê-lo assim, Christopher.
— Cassandra continua aqui?
— Claro que sim. A jovem vive sob minha tutela. Onde mais estaria?
— Achei que já estivesse casada.
— O fato de Cassandra não ter encontrado um marido não é minha culpa — o visconde alegou, defensivo. — Deixo-a ir a bailes com freqüência. Aquela menina é teimosa demais. Insiste em dizer que só encontrará um marido em Londres, durante a temporada de verão. Recusa-se a escolher qualquer camponês da região.
— Pelo visto, ela não mudou nada.
Quando Christopher viu a honrada srta. Cassandra Davies pela última vez, ela se mostrara uma menina autoritária e voluntariosa, que não possuía a menor compaixão quando dizia a Christopher que jamais desposaria um gorducho sardento como ele, mesmo que seu tutor a trancasse no porão com os ratos e a deixasse a pão e água durante um ano.
O sentimento, na época, era recíproco.
Saber que Cassandra preferira os ratos a casar-se com ele fora um alívio para Christopher, até descobrir que o avô faria tudo para que a rica herdeira se unisse a seu neto. Se a guerra não tivesse ocorrido e Napoleão capturado os ingleses, não havia dúvidas de que seria marido de Cassandra assim que pisasse em solo inglês.
Olhando por esse prisma, os onze anos de cárcere em várias prisões francesas lhe pareceram quase uma bênção.
— Cassandra se tornou uma jovem muito bonita — o visconde mais uma vez revelava suas intenções. — Estou certo de que gostará dela quando a vir.
"Duvido muito!", Christopher pensou.
— Gostaria de ir para meu quarto agora, vovô.
— Claro, claro! Você precisa descansar.
— Sim. Boa noite.
O visconde o surpreendeu ao segurar-lhe a mão. Os dedos finos e fortes apertaram os de Christopher, como se Jasper relutasse em se afastar do neto.
— Achei que estivesse morto. — Para espanto de Christopher, o avô teve de engolir em seco devido à emoção.
— Também pensei que o senhor tivesse deixado este mundo, porque não pagou meu resgate.
— Recorri a vários canais oficiais e fui informado de que você e seu tutor tinham perecido em Verdun. Não recebi nenhum pedido de resgate.
— O sr. Gardiner de fato faleceu. Espero que tenha informado a família dele.
— Evidente que sim. Nós até encomendamos uma missa para você na capela. Toda a vizinhança compareceu. Acredite em mim, rapaz. Se eu soubesse que ainda estava vivo, teria movido céu e terra para trazê-lo de volta.
— Acredito no senhor, vovô.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

SUBLIME TENTAÇÃO

Sublime Tentação
Kate Huntington
To Tempt a Gentleman
Coleção Sabrina Sensual, nº 13
Editora Nova Cultural , 2005
Assunto Tutores, cunhados e "irmãos"...
Escócia, 1817 Luz da minha vida… Após a morte da esposa, Michael isolou-se em sua propriedade na Escócia, disposto a amargar sua dor. Mas, a pedido de um parente, teve de acolher em sua casa, a jovem Cathy. Decidido a continuar a viver na solidão, a única saída seria encontrar um noivo para tão graciosa dama. Decerto não faltariam pretendentes… No entanto, quanto mais se aproximava o dia da despedida, Michael se perguntava se teria tomado a decisão certa. Pois, como ele enfrentaria o futuro sem a presença da encantadora jovem que trouxera luz e cor à sua vida? Como viver sem as fantasias sensuais que ela lhe despertava, fazendo-o ansiar por beijar seus lábios
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