CAPITULO I
O céu de junho, muito límpido e azul harmonizava com o verde-esmeralda dos campos pontilhados de papoulas. O trem vindo de Bristol parou em uma
estação cujo jardim, povoado por dezenas de variedades de flores perfumadas e multicoloridas, dava a aparência de um verdadeiro oásis.
Louise estivera até então espiando pela janela, absorta na contemplação daquela paisagem tão familiar. Uma excitação mal reprimida estampava-se em seus grandes olhos azuis e mal percebia que estava sendo naquele momento objeto da contemplação dos demais passageiros, que não conseguiam disfarçar um sorriso complacente diante daquela garota esguia e morena, cujo chapéu de palha escondia um rosto pequeno e ovalado, de excepcional beleza. Enquanto o trem diminuía a marcha, ela preocupava-se em reunir
a bagagem e os demais pertences. Assim que desembarcou, dirigiu seu melhor sorriso para o passageiro que a ajudara a descer a mala.
O rapaz, fascinado ficou sem saber o que fazer durante alguns segundos e finalmente retribuiu-lhe o sorriso.
Pôs a mala no chão. contemplando a plataforma vazia. O chefe da estação apitou e o trem deixou lentamente a estação. Ela ficou sozinha, respirando o perfume morno das flores, prestando atenção no silêncio daquela tarde de verão. Alguns passarinhos haviam feito ninhos nos beirais da estação. Cruzavam o céu com a velocidade de flechas, gorjeando alegremente. Louise suspirou, feliz com tudo que via, e pôs-se a esperar, sem maiores preocupações. É claro que ele viria e sobre isto ela não tinha a menor dúvida. Viu-o, então, atravessando o portão, e foi correndo a seu encontro, atirando-se em seus braços.
- Daniel! - Encostou seu rosto macio no dele. passando-lhe os braços em volta do pescoço e sentindo que ele a enlaçava, apertando-a de encontro a si.
Desde que tinha oito anos de idade a acolhida era a mesma. Daniel estendia os braços e ela corria para abrigar-se neles, ansiosa por sentir o vigor e a possessividade que emanavam dele.
Abandonou-se inteiramente, à espera de que ele a rodopiasse no ar, como sempre fazia, e a felicidade que sentia naquele momento era inexprimível.
Foi então que sentiu algo de diferente no ritual há muito tempo estabelecido e que sempre costumava celebrar seu primeiro dia de férias. Em vez de toma-la nos braços e tirá-la do chão, Daniel, com muita delicadeza, afastou-a de si.
Ela ficou muito admirada, pondo-se a contemplar aquele rosto moreno e de traços muito definidos.
- Seja bem-vinda, Louise. Fez boa viagem? O carro está lá fora. Deixe que eu levo sua mala.
Afastou-se a passos largos, muito elegante em sua roupa esporte. Era alto e esguio e alguns fios de cabelos prateados brilhavam à luz do sol de verão. Louise sentiu-se confusa, sem entender o que estava acontecendo.
Desapontada, sentia que houvera uma alteração sutil e indefinível em seu relacionamento, desde que se encontraram pela última vez. Até aquele momento sempre soubera o que ele pensava e sentia, como se fossem ligados por algum laço invisível. Magoava-a profundamente o fato de sentir uma barreira onde antes não houvera nenhuma. Por alguma razão, Daniel mantinha-a à distância e Louise não conseguia despregar os olhos dele, imaginando a causa de tudo aquilo.
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ESSA MÚSICA PARA MIM TEM MUITO HAVER COM O LIVRO -- Porque Choram os Homens 