Two to Tango
Mary Jo Territo
Super Bianca 35
Debbie o enfeitiçava com seus beijos, o torturava com sua traição.
Louco de ciúme, Rick viu Debbie rodopiar feliz nos braços do bailarino e rival Ian Parker, e seu coração se endureceu de ódio.
Ao lado daquela mulher ele aprendera a não temer o amor, a sentir a beleza da vida, os limites da paixão.
Mas como deixar de acreditar no que seus próprios olhos viam: Debbie e Parker juntos, envoltos no fogo de um tango excitante e sensual?
Como deixar de suspender daquela prova tão evidente de traição?
FILME PERFUME DE MULHER (ELE NO FILME É CEGO)
CAPÍTULO I
O casal de dançarinos Rick e Debbie Williams havia passado toda a manhã dentro dos estúdios da Agência de Propaganda Modelo, ensaiando para a gravação do comercial do perfume Reverte, da Indústria de Cosméticos Starlight. E agora estavam a postos esperando que o diretor desse a ordem para que o ensaio definitivo das filmagens começasse.
— Silêncio! — o diretor ordenou, para que o burburinho cessasse.
Rick sorriu e apertou-lhe o braço carinhosamente num gesto de encorajamento, transmitindo-lhe, com seus profundos olhos azul-escuros, confiança e amor.
Casados há pouco mais de dois anos, Rick e Debbie viviam em perfeita harmonia no salão de baile, no estúdio e em casa. Mais do que dois indivíduos, formavam uma entidade única, as virtudes de um compensando as fraquezas do outro.
Num sussurro quase inaudível, mal movendo os lábios, Rick disse para a esposa:
— Vamos fazer tudo certo logo na primeira vez, querida.
Debbie retribuiu-lhe o encorajamento com um sorriso nervoso, sentindo que agora tudo estaria bem. Quando dançaram juntos pela primeira vez como profissionais, ele dissera aquelas mesmas palavras e desde então as repetia antes de cada apresentação, transformando-as numa superstição particular. Às vezes, ela sentia que não conseguiria dar um passo sem ouvi-lo dizer isso.
Finalmente, os primeiros acordes da valsa se fizeram ouvir, juntamente com a palavra "ação", dita pelo diretor. Conduzida por Rick, Debbie flutuava.
Por um momento, as luzes, os técnicos e as câmeras pareceram deixar de existir. O cenário não era mais o simples desenho de um jardim ao luar, mas a própria natureza com rosas tão reais que ela podia até mesmo perceber-lhes o perfume.
Perto de uma fonte, eles pararam, e Rick a ergueu, girando-a com suavidade. Depois de um breve instante, ele a pôs no chão, e os dois continuaram a girar com graça e desenvoltura. Em algum lugar de sua mente, Debbie sabia que a brisa que lhe acariciava o rosto vinha de um ventilador, mas preferia não se lembrar disso. Aquela era uma noite de primavera no coração do jovem casal.
Ao pararem outra vez, Rick colocou-se atrás de Debbie, que, num movimento gracioso, deixou-se cair, sabendo que os braços possantes do marido iriam ampará-la. Um sorriso de felicidade surgiu-lhe nos lábios ao sentir-se abraçada.
Fitaram-se por alguns segundos e, então, ele a ergueu e a beijou.
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