
Um Amor Para Laura
Lord Sandhursts Surprise
Maria Greene
Cornualha, 1815
Regida pelo destino... ou pelo coração?
Disposta a aceitar a profecia de uma sábia anciã, segundo a qual ela se casará com um homem chamado Julian, Laura Endicott passa a nutrir certa afeição por seu vizinho Julian Temple, o visconde de Sandhurst. Ela se recusa a enxergar que ele é o mais dissoluto dos homens, até que encontra um desconhecido ferido na campina de sua propriedade, e descobre que há alguém perseguindo aquele cavalheiro misterioso, alguém com intenções malignas...
Daniel regressa à Inglaterra, determinado a reivindicar seu título e a desmascarar a intriga que paira sobre o condado de Sandhurst. Embora o amor não faça parte de seus planos, o carinho de Laura, sua graciosa beleza e sua compaixão são irresistíveis. E o mais alarmante é descobrir que aquela jovem encantadora está comprometida com o egocêntrico Julian Temple, cujos motivos para desposá-la são, no mínimo, questionáveis. Agora Daniel precisa evitar aquela união desastrosa, e provar a Laura que o amor verdadeiro é trazido pelo destino...
Prólogo
A srta. Laura Endicott enxugava as lágrimas ao ver sua melhor amiga, a quem considerava a irmã que nunca tivera, recitar os votos para seu ex-noivo, sir Richard Blackwood. Ela poderia ter sido aquela pessoa diante do vigário ao lado de Richard, mas estava contente por ter desistido do casamento no começo daquele ano.
Richard era como um irmão para ela, e agora Laura era testemunha do dia mais feliz da vida de seus melhores amigos, enquanto eles sorriam um para o outro sob as roseiras de Eversley, a propriedade do noivo. Qualquer um podia ver que haviam sido feitos um para o outro.
Laura se perguntou se algum dia ela também se casaria, mas até então as propostas haviam sido ilusórias. Nada além de um sentimento ínfimo permeara seu namoro com Richard, e nunca chegara a sentir-se atraída por ele, pelo menos romanticamente.
Talvez ele nunca a tivesse pedido em casamento se não fosse a promessa feita a seu pai de que tomaria conta dela.
Porém, ela não precisava de ninguém para tomar conta da sua vida. Sabia que podia defender a si mesma, a fortaleza Edicott e todas as almas que dependessem dela para sobreviver. Seu sobrinho Edwin, que herdara a propriedade, morava nas Colônias e não pretendia retornar à Inglaterra até que tivesse os filhos crescidos.
Ela atuava como preposta e contava com sua total confiança. Agradava-lhe o desafio, e todos aqueles que a ajudavam a cuidar da propriedade passavam a fazer parte da família.
Independência era um de seus pontos fortes, mas ela sentia falta de alguém à noite, quando se sentava sozinha diante da lareira no mesmo terraço em que costumava passar as noites cálidas de verão.
Adorava olhar para o oceano, a brisa soprando em seu rosto, os cãezinhos e gatos brincando aos seus pés. Os animais nunca se afastavam muito, mas, embora amasse seus companheiros de quatro patas, sentia falta de alguém com duas pernas para conversar.
Porém, talvez seus bichinhos se mostrassem mais inteligentes e leais que todo o restante das pessoas, pensou, olhando de soslaio para o homem que a acompanhara ao casamento em Sussex.
Julian, alto e orgulhoso, permanecia a seu lado, com os olhos azuis enigmáticos e o belo rosto distante. Ela o conhecia desde sempre, mas, mesmo assim, não sabia dizer o que lhe passava pela cabeça.
Havia duas semanas, ele começara a demonstrar um renovado interesse por ela, que ia além da amizade. Ainda assim, não fizera menção de um futuro junto dela. Na verdade, estava agindo mais como o velho amigo que era, como se as demonstrações de interesse nada significassem. Aquilo a incomodava, pois significava que ele era capaz de ligar ou desligar as emoções, e convenientemente esquecer as demonstrações de ardor.
Além de seu amigo, Julian também era seu vizinho mais próximo. Quase todas as manhãs, ele a visitava na fortaleza. Mas, desde que a corte de Richard terminara, no começo da primavera, ele tinha adotado um tom de voz formal e passara a guardar para si qualquer gesto de carinho. Isso até duas semanas atrás. Estranho, pensou ela. Por que tal mudança?
Ela não tinha muita experiência e não sabia como interpretar esse comportamento. Uma vez, ele a beijara apaixonadamente durante um jantar em Sandhurst, e ela correspondera com idêntico ardor.
Talvez tivesse percebido que não tinha nenhum interesse real por ela, ou talvez não conseguisse se decidir. Era difícil saber, uma vez que ele não falava a respeito e ela não ousava tocar no assunto, receosa de passar por uma humilhação.
Não cabia a ela trazer à baila a questão, mas podia facilmente enxergar a união da propriedade dele e das terras que ela recebera após a morte da mãe. A questão era, será que Julian via as coisas da mesma forma?
Acreditava que sim. Afinal, que cavalheiro recusaria a oportunidade de aumentar seus domínios com tão pouco esforço?
Porém, ela queria se casar por algo mais do que um acordo de negócios. Desejava se casar por amor, assim como seus amigos estavam fazendo.
Voltou sua atenção aos noivos. Jill estava linda no vestido de seda creme bordado de pérolas, com uma coroa de rosas champanhe, que acentuava seus cabelos e olhos negros. Por sua vez, Richard estava elegante e sóbrio no traje azul-marinho.
Ambos pareciam tão felizes que, ao se entreolharem, era possível ver as faíscas de encantamento. Quando viu Richard beijar a noiva, uma onda de insatisfação e vazio a percorreu.
Algum dia teria alguém tão próximo, como Jill tinha Richard? As perspectivas pareciam sombrias, porém precisava ter esperança, pensou, olhando para Julian.
A expressão dele beirava o tédio, e ela podia jurar que tudo que seu par ansiava era que a cerimônia chegasse ao fim.
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